Viajar é um convite à descoberta. É atravessar horizontes, experimentar novas culturas e acumular histórias que, muitas vezes, se transformam em lições valiosas. Ao longo da minha vida, as viagens me presentearam com momentos inesquecíveis alguns maravilhosos, outros um pouco mais desafiadores. E foi exatamente um desses desafios que marcou a minha primeira viagem na fase adulta: uma aventura desastrada em Peruíbe, São Paulo, no ano de 1992.
Na época, eu era jovem, cheia de energia e com pouca experiência. Decidi me aventurar em um acampamento, atraída pela promessa de natureza exuberante e momentos de desconexão. O que eu não sabia era que estava prestes a viver dias que seriam um verdadeiro teste de sobrevivência.
Sem planejamento ou conhecimento sobre os riscos, embarquei nessa aventura com uma mochila cheia de entusiasmo mas com pouca preparação prática. A realidade me pegou de surpresa. Passei fome, porque não calculei a quantidade certa de comida. Passei frio, porque não levei roupas adequadas para as noites geladas. E, para coroar o caos, fui atacada por borrachudos e outros bichos, o que acabou me levando ao hospital. Era como se a natureza estivesse me dando uma lição: “Você veio despreparada, então vai aprender do jeito difícil.”
Apesar de todo o perrengue, sobrevivi. E, ironicamente, essas memórias hoje me arrancam risadas. A tragédia virou comédia com o passar do tempo. Mas uma coisa é certa: nunca mais cometi o mesmo erro. A partir dessa experiência, aprendi a pesquisar cada detalhe das viagens que planejo, desde o clima e a infraestrutura do local até as necessidades específicas de cada passeio.
Essa aventura em Peruíbe foi um divisor de águas para mim. Foi quando percebi que viajar é muito mais do que apenas pegar a estrada; é estar preparado(a) para o inesperado. Embora tenha sido uma experiência difícil, sou grata por ela, porque me transformou em uma viajante mais consciente.
Hoje, minhas viagens continuam a me ensinar, mas de maneiras muito mais prazerosas. Cada novo destino é uma oportunidade de redescobrir o mundo e, principalmente, a mim mesma. E, se tem algo que levo comigo em cada jornada, é a certeza de que mesmo os tropeços se tornam histórias preciosas, dignas de serem recontadas.
Então, se você, como eu em 1992, está prestes a embarcar em uma aventura, lembre-se: planejamento é essencial, mas também esteja aberta a surpresas. Afinal, são os fragmentos inesperados que tornam nossas viagens verdadeiramente memoráveis.
E aí qual foi seu perrengue!?
Ventouuu!!!

